Observatório
Marco normativo
A legislação nacional.
O marco normativo nacional e internacional estabelece a obrigação inescapável do Estado boliviano de prevenir, punir e erradicar a violência de gênero, garantindo às mulheres uma vida livre de violência e discriminação.
Marco legal nacional e internacional
Leyes y convenios que consagran la protección integral de las mujeres frente a la violencia.
Artigo 15 (CPE)
Toda pessoa tem direito à vida e à integridade física, psicológica e sexual. Ninguém será torturado nem sofrerá tratos cruéis. O Estado adotará as medidas necessárias para prevenir, eliminar e punir a violência de gênero.
Lei Integral 348
Lei Integral para Garantir às Mulheres uma Vida Livre de Violência (2013). Tipifica 16 formas de violência, cria a FELCV e estabelece a prioridade estatal na persecução penal do feminicídio.
Convenção de Belém do Pará
Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher (OEA). Reconhece o direito das mulheres a serem valorizadas e educadas livres de padrões estereotipados.
Convenção CEDAW
Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher. Obriga os Estados a erradicar leis, costumes e práticas discriminatórias na justiça.
Procedimiento penal
Glossário visual: hierarquia judicial
Para compreender o curso de um processo penal, estas são as três instituições-chave encarregadas do processo:
1. FELCV
Braço policial especializado. Recebe denúncias de urgência, socorre a vítima e executa ordens de prisão.
2. Ministério Público
Dirige a investigação penal, determina perícias forenses, solicita medidas de proteção e denuncia o agressor.
3. Varas e tribunais
Varas de Instrução e Tribunais de Sentença, que resolvem medidas cautelares e proferem sentença condenatória.
Jurisprudencia constitucional
Sentenças constitucionais relevantes
Resumos de sentenças do Tribunal Constitucional Plurinacional com perspectiva de gênero e tradução para linguagem simples:
Sentencia Constitucional Plurinacional 455/2019-S2
Proteção a mulheres em situação de violência. Estabelece a obrigação inescapável dos promotores de adotar medidas de proteção e solicitar sua homologação imediata perante a autoridade judicial. Sua finalidade central é resguardar a vida, a integridade física, psicológica e sexual, e os direitos patrimoniais e trabalhistas das mulheres e de seus dependentes.
Em resumo: Os promotores são OBRIGADOS a lhe dar proteção imediata assim que você denuncia, sem desculpas. O trabalho deles é garantir que sua vida, seu corpo e seus bens (e os de seus filhos) estejam a salvo do agressor.
Sentencia Constitucional Plurinacional 353/2018-S2
Valor probatório do depoimento da vítima. Determina que, em crimes de violência sexual e de gênero (que costumam ocorrer às escondidas), o depoimento da vítima constitui prova fundamental e indiciária essencial para comprovar a provável autoria, obrigando promotores e juízes a aplicar uma estrita perspectiva de gênero na valoração das provas.
Em resumo: Como as agressões costumam ocorrer sem testemunhas, SUA PALAVRA vale como prova principal. Os juízes não podem descartar sua denúncia só porque não havia mais ninguém olhando.
Sentencia Constitucional Plurinacional 064/2018-S2
Obrigação de administrar justiça com perspectiva de gênero. Determina o dever inescapável de todas as juízas, juízes e tribunais de aplicar a perspectiva de gênero na condução dos processos e em suas decisões. Constitui ferramenta jurisprudencial-chave para combater a discriminação e erradicar as desigualdades no sistema judicial.
Em resumo: Os juízes estão proibidos de usar preconceitos machistas ("ela procurou", "por que estava vestida assim") na hora de julgar. Devem compreender a desigualdade de poder que existe.
Sentencia Constitucional Plurinacional 130/2018-S2
Enfoque interseccional e grupos vulneráveis. Trata da proteção de vítimas com vulnerabilidades cruzadas (como crianças e pessoas idosas). Exige do Estado uma proteção imediata, oportuna e especializada, obrigando as autoridades a agir com devida diligência para priorizar o interesse superior em situações de risco.
Em resumo: Se a vítima é, por exemplo, uma menina ou uma idosa indígena, o Estado deve protegê-la ainda mais rápido, porque está em maior desvantagem e risco.
Sentencia Constitucional Plurinacional 017/2019-S2
Devida diligência e atuação judicial. Reforça a proibição de rejeitar denúncias de violência alegando suposta "falta de colaboração" da vítima. Estabelece que a investigação deve ser realizada de ofício, priorizando a proteção imediata e garantindo que o Ministério Público assuma integralmente o ônus da prova.
Em resumo: A polícia e o Ministério Público não podem arquivar seu caso dizendo que você "não trouxe provas" ou "não voltou para perguntar". Eles têm a obrigação de investigar por conta própria.
Sentencia Constitucional Plurinacional 001/2019-S2
Medidas cautelares e perspectiva de gênero. Obriga a considerar a especial vulnerabilidade de meninas e adolescentes mulheres ao avaliar o risco processual e os pedidos de revogação da prisão preventiva. Exige dos juízes uma fundamentação rigorosa que demonstre a ausência de perigo efetivo, superando formalismos processuais.
Em resumo: Antes de soltar um agressor enquanto dura o processo, o juiz precisa pensar seriamente se a vítima corre perigo. Não podem soltá-lo só para cumprir um trâmite.
Esta informação foi útil para você?
Obrigada pela sua resposta.
Continue explorando
Observatório
Dados sobre feminicídios, violência de gênero e casos atendidos na Bolívia.
Como navegar sem deixar rastro
O que o botão de saída rápida faz e não faz, e como apagar do navegador que você esteve aqui.
Fale conosco
Entre em contato com a Casa da Mulher. Escritório administrativo e canais de ajuda.
